Página inicial » Destaques » Fandango Caiçara

Fandango Caiçara

A identidade cultural da comunidade caiçara, os mutirões, puxirões ou ajuntórios e grandes bailes de fandango até o amanhecer...

Podemos dizer que o fandango caiçara esteve intimamente ligado ao cotidiano caiçara através dos mutirões, puxirões ou ajuntórios que eram organizados para preparar as suas roças para o plantio, para fazer as colheitas de temporada, para fazer a “puxada da canoa” da floresta para o sítio ou para a construção de benfeitorias comunitárias. No final do dia, esse trabalho comunitário era “pago” pelo anfitrião com o oferecimento da festa de fandango que reunia o bailado, com batidas de mãos e pés, e a música executada com instrumentos artesanais como a viola, a rabeca, o adufo e o machete (cavaco). As noites eram animadas por cantadores populares que apresentavam peças tradicionais com letras que traziam suas histórias, lendas, causos, tradições e crenças. Para o caiçara o fandango não era somente uma dança, mas sim um universo social onde eles podiam viver alegre e tranqüilamente.

O fandango ainda está fortemente ligado ao cotidiano caiçara. A sua origem na região é incerta, mas alguns estudos indicam que teria sido trazido por colonos portugueses no século XVI e, a partir daí, assumido características e particularidades regionais. Com o passar do tempo, esses costumes começaram a sofrer uma série de mudanças, especialmente após o início da década de 1960, que foi marcada pela criação de diferentes Unidades de Conservação e pela adoção de políticas públicas que restringiram o cultivo, a caça e a extração de recursos naturais, impedindo grande parte das comunidades caiçaras de cultivar suas plantações em áreas de Mata Atlântica onde sempre viveram. Sem dúvida, esse foi um dos fatores que mais contribuiu para a sua quase extinção na região.

- Por: Fernando Oliveira Silva
- Foto: Marina Vianna Ferreira

fone: (13) 3851-1201 / 98120-1330

email: